Uma breve sobre as Presidenciais Americanas

Mesmo que ganhe, Trump nunca será Presidente. No máximo, será assassinado!

Há 2 cenários que nos parecem dever serem contemplados e que poderão acontecer entre o dia 08 e Novembro e Janeiro de 2017.

O 1º é de caracter constitucional. A maioria das pessoas desconhece, mas os americanos não votam directamente nos candidatos presidenciais. Quer dizer, votam neles, mas o seu voto vai ser reflectido na eleição de um colégio eleitoral, os Grandes Eleitores, que mais tarde reflectirão o voto popular nos respectivos candidatos. A razão para a existência deste Colégio Eleitoral, composto por 538 Grandes Eleitores e que existe formalmente desde a Convenção Constitucional de 1787, teve na sua origem precisamente a função de filtrar o vencedor e não permitir que um Trump, ou um Joe the Plumber qualquer chegasse à Casa Branca.

Em 1876, 1888 e em 2000, o vencedor perdeu no voto popular, mas venceu no voto dos Grandes Eleitores. Isto não quer dizer que os Grandes Eleitores tenham feito alguma falcatrua, é antes o próprio sistema eleitoral americano que o permite! Falcatrua destes, parece ter acontecido na eleição de Nixon em 1968, o qual com apenas cerca de 40% dos votos, teve uma maioria desproporcional de Grandes Eleitores a votarem a seu favor, o que levou à primeira tentativa de Reforma Constitucional, mas chumbada no Senado. Poderão estar criadas as condições para em 2016 acontecer o contrário, caso Trump ganhe no voto popular e depois não o veja reflectido no voto decisor do Colégio Eleitoral. Esta situação adensaria o debate sobre o facto de se considerar esta instituição como anti-democrática, sobretudo nos meios académicos, acelerando o caminho para a sua extinção e provocando uma solução pragmática e à americana, que se pode resumir num “New Rule”, eleições terão que ser repetidas e não o poderão ser com os mesmos candidatos! É possível.

O 2º cenário é mais dramático, já que se trata de um derradeiro recurso, a eliminação física do milionário, num cenário de complot kennedyano, que muito jeito também dará aos media e aos teóricos da conspiração.

A razão principal para esta hipótese, prende-se com o potencial conflito existente entre Trump e os militares, ou certo(s) sectores militares, relativamente à entrega, comando e controlo dos códigos nucleares. Uma daquelas situações em que logo no início do debate, se percebe que a única solução é cortar o mal pela raiz e evitar incómodos futuros. Conforme Hillary disse recentemente num discurso de campanha, “o rapaz tem a pele fina”, traduzido como “pavio curto”, “imaginem o que pode acontecer se for confrontado e fizer birra!”

Creio ser este o principal arrepio que os militares querem evitar com esta potencial queima de arquivo!

Mas esta análise não ficaria completa, caso não contemplássemos também um potencial assassinato da candidata democrata, Hillary Clinton, já que começa a dar-se espaço mediático às milicias de extrema-direita e ao Ku Klux Klan, que na opinião do escritor Paul Auster, em entrevista à RTP, disse que este sector misógeno da sociedade americana, não admite 8 anos de uma mulher, após 8 anos de um preto como Presidente do país. Inconcebivel e tudo farão para que não aconteça.

Por outro lado e de acordo com as últimas projecções, Clinton tem uma ligeira vantagem para vencer as eleições nesta terça feira, dia 8, e assim tornar-se a primeira mulher presidente dos Estados Unidos. Porém, ao ritmo com que se sucedem as revelações contra a ex-Secretaria de Estado, o tempo não parece jogar a favor de Hilary Clinton. Já antecipando a vitoria de Hilary nas urnas, há também quem apareça a defender o impeachment da antiga Secretaria de Estado, até mesmo antes de serem conhecidos os resultados das eleições. Alguns Congressistas republicanos, actualmente em exercício de funções, já declararam mesmo a sua intenção de dar inicio a um processo de afastamento de Clinton da Casa Branca, caso ela venha a ser eleita Presidente dos Estados Unidos. Nos últimos dias intensificaram-se os ataques contra Clinton, pela forma como esta teria ignorado medidas de segurança de estado, ao lidar com mensagens electrónicas de caracter oficial, referentes ao tempo das suas funções de Secretaria de Estado. Outras acusações, igualmente passiveis de comprometer as aspirações de Clinton, revelam potencial conflito de interesse com a sua posição inextrincável da Fundação Clinton. Os emails interceptados pela organização secreta Wikileaks confirmam ligações entre Arabia Saudita e a Fundação Clinton, o que alegadamente compromete a neutralidade de Clinton. Todavia, este parece ser o cenário mais concreto, dentro dos cenários improváveis, que poderiam impeder Hilary Clinton do exercício das suas funções, caso venha a ser confirmada como Presidente em funções dos Estados Unidos. E, no entanto, até mesmo este cenário é improvável que passe à pratica. Não é surpreendente que os mesmos congressistas que avançaram com o cenário de impeachment contra Hilary, todos eles estão a procura de serem reeleitos nestas eleições que irão ter lugar neste mesmo dia 8 de Novembro. Esta ideia prematura de impeachment contra Hilary, vai ao encontro dos interesses daqueles que estão em risco de perder o seu assento na Camara, ou no Senado. Esta tem sido aliás uma constante entre republicanos durante estas eleições. Muitos dos que estão a terminar o mandato agora, como o líder da maioria, Paul Ryan por exemplo, apoiam Trump sem o dizer de forma clara. Isto serve para criar a ilusão de que Hilary já ganhou, ao mesmo tempo que se dissociam em público da profanidade, e dos escândalos que envolvem o seu candidato. Todavia, o Comité Nacional do Partido Republicano continua a apoiar publicamente o seu candidato, o que reforça a convicção de que o GOP (Grand Ol’ Party, Conservadores) está dividido, e que os radicais dentro do Partido é que têm a estratégia definida.

Eleição paralela

No total estão 34 lugares no Senado em aberto nestas eleições dia 8 de Novembro. O Partido Democrata precisa de  disputar dez dos seus actuais 45 assentos, e ainda conquistar mais cinco aos republicanos, para poder retomar o controlo do Senado norte-americano. O resultado destas eleições para o Senado, que decorrem paralelamente às eleições presidenciais, poderão selar o destino de Clinton na presidência. A Clinton, não lhe basta ganhar, ela precisa da maioria no Senado, e de preferência arrancá-la as custas dos inexperientes senadores do Tea Party. A primeira prova de fogo de Clinton na Casa Branca, caso seja eleita e preste juramento, será a nomeação do nono juiz para o Supremo Tribunal, uma questão que foi sucessivamente adiada pelos republicanos no Senado, com maioria republicana durante este último ano da presidência de Obama. O futuro de Hilary na presidência dos Estados Unidos poderá depender em larga medida dos resultados eleitorais para 15 das 34 vagas em disputa para o senado norte americano.

Uma coisa é certa e estes últimos meses de campanha provam-no. Os americanos não gostam de presidentes fortes, mas sim de instituições fortes. Seja quem for eleito, terá sempre a cabeça a prémio e será sempre o elo mais fraco!

Raúl M. Braga Pires

Investigador CINAMIL – Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar

&

Nuno Solano

candidato PhD em Ed. Agrícola-Iowa State University e Investigador Associado em política de saúde pública, universidade de iowa, EUA.

ENGLISH VERSION

A Brief One about the american elections

Even if Trump gets elected, he may never end up serving 4 years. In the limit, he will be shot!

There are 2 scenarios that must be considered, which might happen between November the 8th and January 2017.

The 1st has a constitutional character. Most people don’t know, but americans don’t vote directly in the presidential candidates. I mean, they do, but their vote will be reflected in the election of an electoral college, the Grand Electors, whom later will reflect the popular vote on the running candidates. The reason for the existence of this Electoral College and its 538 Grand Electors, since the 1787 Constitutional Convention, had in its origins, precisely the function of filtering the winner, in order not to allow any Trump or Joe the Plumber to become Commander and Chief.

In 1876, 1888 and in 2000, the winner lost on the popular vote, but won through the Grand Electors’ vote. This doesn’t mean that the Electoral College cheated, it’s more the peculiarities of the electoral american system, which allow this to happen. Never the less, it seems that the same College cheated on Nixon’s election in 1968. The Republican Candidate only had around 40% of the popular vote but had a disproportional majority amongst the Grand Electors, which lead to the 1st attempt to Constitutional Reform, although it didn’t pass in the Senate. There might be created the conditions in order to happen the opposite in 2016, in the case Trump wins the popular vote and then doesn’t sees it reflected on the decisive Electoral College vote. This situation would feed up the debate about this institution being anti-democratic, mainly in the Academic arena, speeding up its extinction process, allowing a pragmatically American way solution on the basis of a “New Rule”, elections must be held again with new candidates! It’s possible.

The 2nd scenario is much more dramatic, the millionaire’s physical elimination, in a Kennedy conspiracy way, which will flood the media and the conspiracy theorists.

The main reason for this scenario is directly linked with a potential conflict with the military, or certain sectors within, about the possession, command and control of the nuclear codes. This is one of those situations in which, since the beginning, most people understand that the best solution is to “cut the Evil by its root” (Portuguese saying) and avoid future problems. As Hillary said recently in a campaign speech “he has thin skin, imagine that he’s confronted by another world leader and can’t take it!”

We believe this to be the main big chill that the military want to avoid with this potential file burning!

But this analysis’ wouldn’t be complete if it didn’t consider also the potential assassination of the Democratic Candidate, Hillary Clinton. It seems like the media is trying to convince people with the inevitability of that idea. How can be interpreted the media space granted to extreme right wing militias and to the Ku Klux Klan lately? Paul Auster, american writer, in an interview to RTP (Portuguese broadcaster), identified these as a misogynous sector in american society, which won’t tolerate 8 years of a woman, after 8 years of a black in the White House. Inconceivable and they will do everything to avoid it.

 Concurrently, Hilary has a slight edge in the latest polls to win on November 8, and if that happens, she will become the first ever lady president of the United States. However, time has not been on Hilary’s side. With new accusations forming against the former Secretary of State on a daily basis, she is probably relieved that election day is right around the corner.

The projected victory for Hilary at the ballot, did not slow down many of her detractors in Congress, including a small group of congressmen, who have announced their intention to prosecute Hilary, and make a case against her, till she gets impeached. This idea of impeaching Hilary, in all likelihood that she gets elected first, happens even before results from the elections were actually submitted. More recently, accusations have piled against Hilary, opposing how she purportedly mishandled sensitive emails back when she was Secretary of State. Further damaging accusations, revealed also how her inextricable position at the Clinton Foundation could represent a case of conflict of interest if she gets elected. Emails intercepted by Wikileaks show that there are links between The Clinton Foundation and Saudi Arabia, which allegedly compromises Hilary’s impartiality. This is the most likely scenario that could restrain Hilary as President in office, in case she becomes elected. And yet, even this scenario is also unlikely. Not surprisingly, her own detractors, who want to remove her in case she gets elected, are all up for reelection, on the 8th as well. This pending threat of impeachment against Hilary plays out for those in risk of loosing their seat in the House. In fact, this has been a constant among republicans throughout these elections. Many of those who are just about to finish their mandates, like majority leader Paul Ryan, also shown ambiguity when supporting Trump. The idea is to create the illusion that Hilary’s victory is almost inevitable, and so damage control becomes the only option available for the republicans. While at the same time this gives the perfect excuse for republicans to avoid standing by Trump, with all those scandals surrounding the republican candidate. None the less, the Republic National Committee continues to express their public support for Trump, which means that only the most radical conservatives have their strategy outlined.

Meanwhile, parallel election

There are in total 34 seats up for election at the Senate on this November 8th. The Democratic Party holds 45 seats and they have ten up for reelection, but they still need five more in order to get the control back of the senate. A runner up for Senate, even if Hilary wins the presidential, may very well end up sealing Hilary’s destiny in the White House. For Hilary, it may not be enough to win the presidency, she needs the senate majority as well and her best shot at that would be to reclaim those seats back from current incumbents at the Tea Party, who are the junior senators in their districts, on their first mandate since 2010. Hillary will have her first real challenge in the White House, in case of election and taken oath, to nominate the 9th Judge for the Supreme Court, a question always avoided and postponed by the republican majority in Senate, during this last year of the Obama Administration. The future of Hillary in the Presidency of the United States might depend in a large scale of the electoral results for 15 of the 34 vacancies in dispute for the Senate.

One thing is certain and these last months of campaign prove it. Americans don’t like strong presidents, but rather strong institutions. Whoever gets elected, will always have a bounty on its head and will always be the weakest link!

Raúl M. Braga Pires

Researcher at CINAMIL – Military Academy Reasearch Center, Lisbon, Portugal

&

Nuno Solano, PhD Candidate at Ed. Agricola-Iowa State University and Associated Researcher in Public Health Policies at University of Iowa, USA.

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