Conferência “Como podem os países africanos combater a ameaça terrorista? Tendências contemporâneas num terreno em mudança”

Integrado nas comemorações dos 20 anos do Curso de Relações Internacionais, decorrerá no próximo dia 25 de Maio a Conferência “Como podem os países africanos combater a ameaça terrorista? Tendências contemporâneas num terreno em mudança”, a partir das 11h, na Sala Keynes, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Em resumo, aqui ficam sínteses biográficas dos palestrantes, bem como das comunicações a apresentar:

Luís Bernardino

É Tenente-Coronel de Infantaria do Exército Português, habilitado com o Curso de Estado-Maior. Pós-Graduado em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa, Mestre em Estratégia (ISCSP-UTL) e Doutorado em História dos Factos Sociais na especialidade de Relações Internacionais (ISCSP-UTL).

É Professor de Estratégia e Relações Internacionais no Departamento de Estudos Pós-Graduados na Academia Militar em Portugal e membro da Direção do Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da Academia Militar (CINAMIL).

É membro da Direção da Revista Militar e da Direção da Comissão de Relações Internacionais da Sociedade de Geografia Lisboa, sócio correspondente do Centro de Estudos Estratégicos de Angola (CEEA).

Atualmente desenvolve investigação no Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL) com um projeto sobre a Arquitetura de Segurança e Defesa Africana.

“O papel das Instituições de segurança no combate ao terrorismo em África”

O terrorismo é um dos problemas atuais que mais preocupa os Estados e as Organizações Internacionais, pois a prevalência e gravidade dos seus efeitos enfraqueceu as sociedades e tornou-as menos disponíveis para a paz e para alcançarem o desenvolvimento sustentado. Em África, esta realidade conjuntural tem conduzido os Estados, e cada vez mais, as Organizações Regionais Africanas, a desenvolverem mecanismos de alerta, de resposta e a criarem estruturas de apoio às estratégias pós-conflito no propósito de recuperar as sociedades deste flagelo e regionalmente, desenvolverem capacidades que possibilitem uma melhor intervenção.

Esta problemática obriga-nos a uma reflexão multidimensional e multidisciplinar, pois o terrorismo é atualmente em fenómeno transfronteiriço e atemporal, em que as fronteiras não limitam as causas nem as consequências. Neste paradigma inovador, as Organizações Regionais Africanas têm vindo a assumir um maior protagonismo na operacionalização da Arquitetura de Paz e Segurança Africana, como sistema securitário e mecanismo proactivo de resposta às crises regionais e no combate ao terrorismo.

O combate ao terrorismo em África, assume-se desta forma como um dos principais dilemas para os Estados e Organizações Regionais, que cooperam estrategicamente no intuito de prevenir as ameaças que afetam os seus espaços soberanos, quer seja em terra e especialmente no mar, nomeadamente no combate à pirataria e ao trafego de armas e pessoas. Neste contexto, a presente reflexão académica pretende trazer para a discussão a questão da gestão dos conflitos, da conflitualidade e do terrorismo em África e apresentar possíveis soluções estratégicas para esta problemática que se constitui num problema atual para os Estados e para as Organizações Regionais Africanas.

Gustavo Plácido dos Santos

É investigador e analista de assuntos relacionados com defesa e segurança internacional, focando-se na África subsariana e países lusófonos. É licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa e tem um Mestrado em Conflitos Internacionais pela Kingston University, em Londres. Atualmente, é investigador no Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), estando também associado à consultora de análise de geoestratégia Wikistrat e ao Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar (CINAMIL). É ainda fundador do blog Africa Defence & Security.

Gustavo Plácido dos Santos vem, no alinhamento do primeiro orador, focalizar a sua apresentação nos Estados da África subsariana e das suas zonas fronteiriças com o Norte de África e Sahel na medida em que têm estado debaixo dos holofotes internacionais por força de uma ameaça sem precedentes à sua ordem política e social, bem como à sua integridade.

Esta nova ameaça difere no sentido de que é transnacional e que instrumentaliza a religião como uma arma poderosa para difundir a mensagem e atrair militantes. Tendo isto em conta, Gustavo Plácido dos Santos vai analisar os principais grupos/organizações terroristas que estão por detrás deste novo fenómeno, particularmente quem são, quais as suas motivações e objetivos, bem como o que proporcionou uma expansão tão rápida e, de certo modo, imparável, nesta parte do mundo.

“A ameaça do terrorismo na África subsariana”

Em anos recentes, os Estados da África subsariana e das suas zonas fronteiriças com o Norte de África e Sahel têm estado debaixo dos holofotes internacionais por força de uma ameaça sem precendentes à sua ordem política e social, bem como à sua integridade. Não obstante a existência prévia na região de grupos que usam actos terroristas para fins políticos, esta nova ameaça difere no sentido de que é transnacional e que instrumentaliza a religião como uma arma poderosa para difundir a mensagem e atrair militantes.

Ora, tendo isto em conta, urge analisar os principais grupos/organizações terroristas que estão por detrás deste novo fenómeno, particularmente quem são, quais as suas motivações e objectivos, bem como o que proporcionou uma expansão tão rápida e, de certo modo, imparável, nesta parte do mundo.

Não querendo ficar por aqui, abordarei as iniciativas nacionais, regionais e internacionais que visam eliminar ou, mais realisticamente, conter estas ameaças.

Desde o Boko Haram ao al-Shabaab, passando pelo risco de ‘spill-over’ regional e por disputas geopolíticas entre potências não-africanas, pretendo expôr uma perspectiva geral sobre este assunto e abrir caminho para um debate construtivo.

Raúl Braga Pires

É Politólogo, arabista, Investigador do CINAMIL e do Observatório Político. Entre 2011 e 2014, Professor na Univ. de Rabat-Agdal nos cursos de Estudos Portugueses e Estudos Hispânicos, autor do Blogue e publicação “Maghreb/Machrek – Olhares Luso-marroquinos sobre a Primavera Árabe” (Diário de Bordo, 2013). Comentador SIC para assuntos do Norte de África e Médio Oriente, é também colaborador da edição lusófona da revista Foreign Policy. Licenciado em Relações Internacionais (Univ. Lusíada), Mestre em Estudos Asiáticos (FLUP) e doutorando no ISCSP em Relações Internacionais, com especial enfoque na questão securitária e de defesa no Sahel.

“O Islão como processo e o Magrebe atual: Considerações sobre a inexistência de muçulmanos moderados”

Ver o Islão como um processo, com avanços e recuos, é entendê-lo a partir do interior da Madrassa, da Mesquita, da família, cuja narrativa, códigos e fins a atingir condicionam o indivíduo de tal forma, cujo termo “moderado”, não mais é que um eufemismo, para, numa perspectiva quase colonial, o identificarmos como assimilado, domesticado qb e disponível para conversar/negociar com o Homem Branco sem aspas e, num mesmo patamar de igualdade. A construção do “moderado”, obedece assim à necessidade de criação de um interlocutor válido e aceite por quem se encontra deste lado do charco.

Tendo a Líbia como ponto de partida, será também feito um ponto de situação actual neste país e de como o mesmo influência regionalmente todo o norte de África, Sahel e África subsaariana.

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